á estou há alguns dias tentando escrever alguma coisa sobre o que está acontecendo aqui na cidade, mas como cidadã de Blumenau, nascida e criada, é difícil encontrar uma palavra pra descrever o sentimento que sufoca o peito, com essa tragédia que ocorreu entre os dias 22 e 23 do mês passado.
Caos talvez seja a melhor definição pra situação da qual nos encontramos agora. A cidade está de pernas pro ar, ou melhor, de morro abaixo e lama. Tem lama em todos os lugares..dentro das casas, dos comércios e por todas as ruas. Há entulhos também, que até então eram chamados de móveis, eletrodomésticos, roupas, comida..mas que levados pela correnteza se amontoaram de tal maneira que entulho é elogio.
A chuva foi intensa naquele final de semana..a energia não demorou muito a desaparecer, assim como a água da rede. Onde eu moro, graças a Deus, e só graças a ele mesmo, não houve deslizamento e muito menos enchente, até mesmo porque se um dia der enchente no morro onde eu moro, a cidade inteira vai estar submersa. Mas lá de cima assistíamos boquiabertos a água inundando algumas casas da rua principal, a ponte sendo destruída pela correnteza do ribeirão, a cidade no seu momento de fraqueza.
Mesmo não vendo com os nossos olhos o que estava acontecendo aos outros bairros, os nossos corações sentiam que a cidade estava desmoronando. Ao ligar o radinho de pilha e ouvir as notícias da tragédia, ficava cada vez mais evidente que era caótica a situação.
Quando a energia restabeleceu, no dia 26, ao ver as imagens dos lugares destruídos, veio a lembrança de quando esses lugares ainda existiam, e é difícil imaginar que daqui pra frente alguns desses lugares irão ficar só na nossa lembrança..assim como também algumas pessoas.
As pessoas perdendo tudo o que levaram muito tempo pra adquirir, pobres e ricos, sem distinção de classe, cor ou credo. Pessoas sendo levadas pela correnteza, pelo desbarrancamento, a natureza mostrando que é mais forte do que qualquer pessoa, qualquer construção. As águas inundando as casas, as ruas, quebrando as pontes, isolando a cidade. E, por fim, tristeza, desespero, solidão.
Hoje já se passaram 10 dias desde o desastre, mas quando a chuva volta cair, por mais fina e curta que seja, as feições mudam. Aquela sensação, de 'vai acontecer tudo de novo?' ou de 'será que estamos mesmo todos protegidos?', ressurge. Alguns pontos da cidade, ainda estão alagando mesmo com a chuva fina; também pudera, se os ribeirões já estavam cheios de entulho antes da enxurrada, imaginem agora. Os deslizamentos continuam, assim como também os resgates de pessoas ainda isoladas. É comum ver helicópteros pelo ar, caminhões de frigorífico levando corpos pro IML, estradas caindo, caminhões trabalhando por todos os cantos. O cenário de guerra tomou conta da nossa cidade em que, ironicamente, predomina a cultura alemã, da qual um dia provocou uma das maiores guerras da história mundial.
Por mais que nada tenha acontecido na minha casa, de meus familiares e amigos (alguns tiveram a casa inundada, porém, sem risco e estão todos bem) é impossível dizer que não sou uma vítima dessa destruição. É impossível não se sensibilizar ao ouvir os depoimentos de quem perdeu tudo, seja os móveis, a casa inteira, alguém da família, a família inteira..e a esperança. É desumano ouvir os relatos. Só de tentar se colocar na situação de algumas pessoas, que tiveram de enterrar o cônjuge, construir caixões improvisados para enterrar a comunidade, que tentaram salvar os filhos mas os deixaram escapar por entre os dedos..só de tentar se colocar no lugar dessas pessoas, já é desumano.
Por mais que nada tenha acontecido na minha casa, de meus familiares e amigos (alguns tiveram a casa inundada, porém, sem risco e estão todos bem) é impossível dizer que não sou uma vítima dessa destruição. É impossível não se sensibilizar ao ouvir os depoimentos de quem perdeu tudo, seja os móveis, a casa inteira, alguém da família, a família inteira..e a esperança. É desumano ouvir os relatos. Só de tentar se colocar na situação de algumas pessoas, que tiveram de enterrar o cônjuge, construir caixões improvisados para enterrar a comunidade, que tentaram salvar os filhos mas os deixaram escapar por entre os dedos..só de tentar se colocar no lugar dessas pessoas, já é desumano.
Andando por essas ruas nos perguntamos: Quando tudo vai voltar ao normal de novo? Quando não vamos mais ter medo da chuva?
É difícil dizer, prever o que vai acontecer daqui pra frente. Sei que os blumenauenses são fortes e a união faz a força. Em meio ao caos há também solidariedade. Famílias acolhendo outras famílias, se voluntariando pra ajudar a quem mais precisa, policiais, bombeiros e militares arriscando a vida para salvar outras. Talvez essa destruição toda de algo tenha servido, tenha mudado algo nos corações de quem nunca olhou pro lado e perguntou se alguém precisava de ajuda. Talvez vidas tenham sido levadas, pra mostrar pro mundo inteiro que todos nós precisamos de outras pessoas pra sobreviver, que o orgulho não leva a lugar algum e que podemos fazer a diferença sim, se houver união. Temos pessoas do Brasil inteiro e de outros países aqui nos ajudando. Aproveito pra agradecer, em nome de todos, a ajuda que está chegando, pois só assim, a esperança, por menor que hoje seja, retorna aos nossos corações.
É difícil dizer, prever o que vai acontecer daqui pra frente. Sei que os blumenauenses são fortes e a união faz a força. Em meio ao caos há também solidariedade. Famílias acolhendo outras famílias, se voluntariando pra ajudar a quem mais precisa, policiais, bombeiros e militares arriscando a vida para salvar outras. Talvez essa destruição toda de algo tenha servido, tenha mudado algo nos corações de quem nunca olhou pro lado e perguntou se alguém precisava de ajuda. Talvez vidas tenham sido levadas, pra mostrar pro mundo inteiro que todos nós precisamos de outras pessoas pra sobreviver, que o orgulho não leva a lugar algum e que podemos fazer a diferença sim, se houver união. Temos pessoas do Brasil inteiro e de outros países aqui nos ajudando. Aproveito pra agradecer, em nome de todos, a ajuda que está chegando, pois só assim, a esperança, por menor que hoje seja, retorna aos nossos corações.
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