Acredito que to vivendo num período de crise existencial, não sei se é pela idade (chegando aos trinta) ou se o atual momento político-social é o que pesa mais. Nas redes sociais, descobri vários amigos "cientistas políticos", todos donos da verdade absoluta. Estes, além de saber tudo sobre política, ainda entendem tudo sobre economia. É uma pena que passaram tanto tempo se especializando nessas áreas, e esqueceram de estudar um pouquinho de história. Digo isso porque prefiro acreditar que algumas postagens que tenho lido foram postadas pelo total desconhecimento da história, a acreditar que a história simplesmente foi ignorada.
Atualmente não apenas o Brasil, mas outros países, vivem uma crise financeira que há muito não se via. É preocupante, eu sei. Considerando que meu pai é micro empresário e que toda a minha família depende dos frutos da nossa empresa, eu sei bem o que preocupa muitas famílias.
Mas eu tenho uma preocupação ainda maior. O que vejo estampado na minha timeline diariamente é o desejo de mudança da maior parte dos meus "amigos do face". Mudar não é preocupante, mudar é ótimo. Quem me conhece sabe a camaleoa que sou. O que me preocupa é que será que quem pede mudança quer mudar o mundo ou mudar o próprio mundo? Que tipo de mudança é essa? E percebo que essa mudança parece não passar do setor financeiro. E claro, melhorar a economia não é nada ruim. Mas melhorar a economia pra que poucos ganhem e poupem mais enquanto outros não o fazem, é melhorar o mundo como um todo ou apenas o seu mundo? Porque sim meu caro, vou te contar um segredo. Nessa sociedade, uns perdem pra que outros possam ganhar. Nessa sociedade, nem todo mundo pode chegar em primeiro lugar. E se a gente compreender um pouquinho da história, vai perceber que o modelo de sociedade que a gente vive não é natural. Que a crise financeira é cíclica e vai continuar acontecendo até mudarmos o modo como vivemos, efetivamente.
E sabe o que me preocupa ainda mais? Porque além desse desejo de mudança que muitos postam em suas redes sociais, que não passam do setor econômico, postam também mensagens propagando ódio, raiva, fazendo piada com pessoas obesas, idosas ou fora dos "padrões de beleza". Vejo essas pessoas avaliando as outras pelo que possuem, pelo cargo que ocupam, pelo sobrenome. E ai eu penso, que tipo de mudança querem essas pessoas?
Ai percebo uma coisa ainda pior. Essas pessoas querem pra si tudo do melhor, porque elas estudaram, porque elas trabalham. Querem o mesmo pro outro que também estuda, que também trabalha como se não houvesse vida fora o trabalho. O resto do povo não, esses tem que merecer. Claro, me-re-ci-men-to. Ou alguém que o sustente e que não seja o governo. Deus o livre, o governo sustentar quem não estuda e trabalha com os impostos que quem trabalha e estuda paga, né? Mas se o governo quiser tirar imposto do carro pra eu comprar carro novo mais barato, ótimo. Da gasolina? Melhor ainda, vou poder passear ainda mais de carro e deixar o trânsito ainda mais caótico. E claro, o trânsito só tá assim caótico porque quem nunca leu um livro já pode comprar um carro. Porque sim, ler muitos livros é sinônimo de inteligência, de cultura. Não vê o doutor, que leu muitos e muitos livros e não tem preconceito nenhum contra homossexual, só que pô, não precisava colocar casal homoafetivo na novela né? Não quero ver beijo gay na minha frente. E "assim caminha a humanidade, em passos de formiga e sem vontade".
E isso tudo aí que me preocupa. Me consome, na realidade.
As vezes eu imagino que a minha verdade deve ser muito errada. Pensa você que eu queria que todo mundo tivesse acesso as mesmas oportunidades. Já pensou, todo mundo ganhando praticamente o mesmo salário independente do "merecimento".Todo mundo tendo acesso a saúde e educação de qualidade. Todo mundo tendo liberdade de vestir o que quiser, de pesar o quanto quiser, de se portar independente do sexo. Imagina você viver em uma sociedade que respeita o meio ambiente, que consome o que tem necessidade de consumir, que valoriza o que tem e o que não tem. Eu queria tanto que esse lugar fosse aqui. Mas é claro que eu to errada. Eu só posso estar errada. Porque hoje não tem ninguém lutando querendo o mesmo que eu. Muito pelo contrário, morrem de medo dos que lutam por tudo isso aí que quero. Eu quero um outro modelo de sociedade. Um modelo mais justo e igualitário.
Mas quem sou eu né? Eu não trabalho. Meu sobrenome não está ligado a nenhuma mega organização ou à alguém famoso. Meu carro não é importado, não tenho casa própria e não to na moda. E sabe, sou super feliz com isso. EU SÓ POSSO ESTAR ERRADA.
Enfim, eu queria mesmo que as pessoas olhassem umas pras outras e se vissem no outro. Que procurassem saber da história do outro. Que não julgassem ninguém. Que tivessem mais amor no coração. Que propagassem o amor. Eu quero a mudança também. Mas eu sei a mudança que eu quero. E eu sei que não é a mesma mudança da grande maioria. Aliás, eu acredito que a grande maioria sequer sabe a mudança que quer. Apenas repete que quer mudar, vai pra rua pedir mudança, mas nem sabe o que tá pendido/querendo. E apesar de eu saber que cada um tem a sua verdade e respeitar a verdade de cada um, eu não consigo entender porque. Porque que as pessoas não querem que sejamos todos iguais? Porque a raiva? Porque o ódio? Porque a discriminação? Porque nivelar tudo por baixo?
Porque buscar uma mudança se a mudança que tu quer é só mais do mesmo? Porque mais do mesmo? Porque não uma sociedade diferente? Porque não parar de se prender no consumo, no acumulo, na riqueza? Cara, olha em volta. O que tu vais levar da vida? Olha em volta. Quer mudar? Que mudança é essa? É mais dinheiro? É poder comprar mais, acumular mais? Olhar pra quem não tem o que tu tens com desdém? É igualar alguém a algo, a um objeto, um material pagável com o dinheiro que nós humanos criamos? Sim!! Nós que criamos o dinheiro, nós que criamos o acumulo, nós que criamos a propriedade!!!!
Qual é a mudança que tu quer afinal?
Qual é a mudança que tu quer afinal?