Passei esses últimos dias elaborando um artigo sobre a Crítica de Kant e a Dialética da Marx para aula de Filosofia. O artigo ainda não está pronto, mas chegarei lá. Acontece que ao começar a elaborar esse artigo, e pensar nele como um projeto acessível, pois quando a gente pensa em artigo científico, nem sempre nos damos conta de que podemos fazer dele uma prática extra curricular, recordei-me do meu tempo de indecisão pós terceirão. Recordei-me dele porque há algo que eu tenho muita vontade de fazer..é mais pra uma pesquisa de campo, com fundamentação teórica, claro, algo que eu quero desenvolver sem ser uma fonte de renda, mas por pura satisfação pessoal. Eu sempre tive muita curiosidade quanto as religiões, acho fascinante como algo mexe tanto com a vida de uma pessoa. Claro que esse "mexer com a vida" está mais relacionado à fé sobre algo extra humano, mas mesmo assim, a religião no contexto histórico, o que leva uma pessoa a seguir determinada doutrina, determinado ensinamento, tenho curiosidade em por exemplo saber se há pessoas que seguem, se assim posso dizer, determinadas religiões apenas por querer fazer parte de um grupo, se concordam com tudo que aquela religião prega, porque concordam, porque descordam, quais as práticas, como são os cultos..e por ai vai. Tenho certeza que há muitos estudos sobre isso..só de procurar no google por 3 minutos eu já encontrei várias coisas sobre..mas o que queria mesmo é aprender na prática..ter esse contato com as pessoas, tentar compreende-las.
O mais engraçado, é que eu, Maria Fernanda, não tenho uma religião. Acredito em Deus, em espíritos..em várias coisas. Mas não sigo nenhum tipo de crença. O que eu acredito é o que EU imagino que exista e não em algo que alguém me falou pra eu acreditar, por ser a verdade, até mesmo porque eu não sei o que é a verdade pura, até acredito que ela nem exista..o que existe apenas são várias verdades, de vários olhares e sensações diferentes. Aliás, taí outra coisa da qual eu tenho curiosidade: sensações. Será que o que eu sinto tu sentes também? Como medir a dor, a emoção, a sensação de frio, calor, azedo, amargo, doce. É tudo muito relativo. Eu acho que Deus é o cara mais irônico que poderia existir. Ele fez a gente, nos colocou aqui, não falou nada pra ninguém do porquê de estarmos aqui, da onde viemos, pra onde vamos..e ele espera que nós, meros mortais, adivinhamos tudo isso? Cara, se eu fosse ele, eu ia dar risada da gente. Tá por isso eu não sou Deus e tal..mas eu também nem queria ser..é muita responsabilidade, taidoido! E agora, muita gente que lê o meu blog (ahã Claudia, sente lá) que é convicta numa crença qualquer, vai me esculachar por chamar Deus de irônico e é com isso que eu fico de cara. A gente desde pequeno aprende que não pode contrariar o poder Divino, e eu nem to aqui fazendo isso porque respeito a minha e a tua crença, mas a gente não pode serquer desconfiar da falta da existência dele, porque somos, ironicamente, crucificados. Tá tão impregnada a crença e a verdade absoluta, que é erradíssimo, e já foi até crime, questionar. E não querendo comparar..mas contrariar o capitalismo é quase igual contrariar determinada fé. Eu nasci e cresci com certos paradigmas que me sinto aflita em pensar sobre eles..até foi algo que já discutimos em sala, quando uma colega falou que ela tava em dúvida sobre a religião dela e isso a estava chateando muito, porque vai contra o que a mãe ensinou pra ela desde que ela nasceu. Então é tudo uma bola de neve. Tu nasce, teu pai te fala "meu filho, Deus é assim, ele faz isso se tu não faz aquilo ou faz aquele outro, o mundo é assim, tem pobre e tem rico, te mata em estudar e trabalhar se tu não quiser passar fome..como contrariar tal coisa? É díficil.
Por isso que eu gostaria muitissimo de ir à campo e buscar respostas pras minhas perguntas. Se alguém conhecer uma pessoa desprendida do dinheiro, que queira ajudar uma curiosa em sua busca pessoal, please, passa esse endereço de blog pra ela ok?